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Idealizado e criado para assegurar a formação integral dos seus estudantes e para despertar nas crianças e adolescentes a vocação para a carreira militar, o Colégio Militar de Belém (CMBel) comemora neste mês de setembro seu segundo ano de existência. Este é o 13º estabelecimento de ensino do Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB) e apenas o segundo na região Norte do país.

A instalação da escola no Estado do Pará era um desejo antigo do governador Simão Jatene, que encabeçou, junto com um grupo de parlamentares, uma comitiva que iniciou, ainda em 2012, as negociações para a implantação do colégio junto ao comandante do Exército Brasileiro. Após todos os processos necessários e a parceria firmada, o Governo do Estado disponibilizou as instalações do prédio onde funcionava a Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA), na Avenida Almirante Barroso, para abrigar a escola.

“Quaisquer ações, projetos e iniciativas em prol da melhoria na qualidade do ensino, em todos os seus níveis, sempre mereceram e tiveram o empenho integral do Governo do Pará. E isto se traduziu em todas as providências tomadas para proporcionar ao Colégio Militar de Belém uma infraestrutura adequada e espaços necessários ao êxito de suas atividades. O prédio cedido é composto por salas de aula equipadas com móveis e centrais de ar, auditório, estacionamento, além de salas administrativas”, detalhou Ruy Martini, diretor da EGPA.

O modelo de ensino, que segue também os valores, costumes e as tradições do Exército Brasileiro, em apenas dois anos de atividade, já mostrou inúmeros resultados. “Trazemos uma tradição de 129 anos do ‘Sistema Colégio Militar do Brasil’, que possui um nível de ensino e de qualidade altíssimo, o que se materializa no resultado de conquistas em várias olimpíadas escolares, por exemplo. Atualmente, o sistema consegue 58% das medalhas de ouro do Brasil inteiro e nós já conseguimos as nossas primeiras. Trazemos toda essa bagagem e conhecimento para a sociedade belenense”, explicou o coronel Celso Kersul, diretor do colégio.

A escola passa por um processo de instalação gradativo. Iniciou seu primeiro ano letivo em 2016, com quatro turmas de 6º ano, tendo cada uma o limite máximo de 25 estudantes. Já em 2017 foram abertas as classes de 7º ano e assim acontecerá sucessivamente até 2020, quando se espera ter alcançado a meta de “Escola Mil”, que é ter mil alunos e implantar todas as séries do Ensino Médio. “O investimento necessário para se abrir uma escola desse porte é enorme. O estado de São Paulo, por exemplo, não possui uma instituição dessa. A parceria com o Governo do Pará aqui foi fundamental para a nossa chegada, pois forneceu todas as instalações e boa parte do mobiliário que temos hoje. Sem as instalações e sem os móveis o colégio não estaria funcionando ainda”, agradeceu o coronel Kersul.

Resultados

Apesar de alguns resultados positivos terem aparecido logo no primeiro ano letivo da escola, o diretor explica que nem tudo foi fácil para os alunos pioneiros. “A maioria deles veio de instituições não militares, por isso precisaram estudar em contraturno para se adequar ao nível cognitivo adequado para a proposta da escola. Nossa média, que em 2016 esteve entre as notas 7 e 7,5, em 2017 atingiu 9 e 9,5, mostrando que todo o trabalho tem dado resultado e gerado frutos. Um dos troféus que ganhamos foi o de maior índice de aproveitamento escolar entre os alunos, que atingiu 99% de aprovação, sendo a primeira entre as 13 do país”, comemorou o diretor da CMBel.

“Ganhamos troféu da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Pública (OBMEP) em função do resultado dos nossos alunos. Em 2016 tivemos uma medalha de prata, três de bronze e três menções honrosas; em 2017 já temos 12 alunos classificados na primeira fase da competição e em excelentes condições de obterem resultados satisfatórios. Já na Olimpíada de robótica conquistamos duas medalhas de bronze e sete destaques de mérito estadual no ano passado. Este ano vamos receber duas de ouro, seis de prata e cinco de bronze, uma evolução enorme. Além da de Astronomia, com uma de ouro, duas de prata e oito de bronze. Em qualquer área que entramos estamos tendo resultados fantásticos”, comentou o coronel Kersul.

Ao todo, estudam na CMBel em 2017, 150 alunos, sendo 50 no 6º ano e 100 no 7º, entre eles, 79 são paraenses e dois chamaram bastante atenção. Renata Okada Cusinato, de 12 anos, e Ivoney de Albuquerque Junior, de 13, ambos no 7º ano, participaram da turma pioneira da CMBel. Vindos de escolas não militares de Ananindeua e Belém, respectivamente, os dois se mostram muito felizes ao mudar de escola. “Foi uma passagem bem intensa – mudar de uma escola comum para uma militar -, a ordem unida foi outro impacto forte que tive, os valores como lealdade, camaradagem, tudo isso me chamou muita atenção e gostei muito, aqui ninguém sofre bullyng”, comentou Roberta, sub-tenente aluna da CMBel.

“Saí de uma escola de Ananindeua e a primeira mudança que senti foi a disciplina que temos que ter, que é bem mais rígida aqui. Além da proposta pedagógica que a dessa escola é melhor do que a de lá. Os professores e o jeito deles ensinarem é o que eu mais gosto dessa escola”, disse o aspirante aluno.

Os dois, assim como os demais alunos da instituição, podem participar de clubes, turmas de complementação educacional da área artística, esportiva e também do ensino, a escolha deles. Renata e Ivoney participam do clube de tutoria – onde auxiliam outros alunos com dificuldades em algumas disciplinas -, clube de astronomia e relações internacionais. Ivoney participa também do futsal e mídias, e Renata do clube de teatro e dança. Ambos também têm como meta conquistar uma bolsa em Havard para cursar Medicina.

Serviço:
Para estudar na CMBel é necessário passar por processo seletivo, aberto uma vez ao ano, sempre no mês de agosto. Para o ano que vem, 35 vagas foram abertas, sendo que dois terços serão destinadas para filhos de militares, incluindo Exército, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. O outro terço das vagas pode ser preenchido por civis, sendo que 5% obrigatoriamente virão do Pro Paz.

Por Heloá Canali